segunda-feira, março 23, 2009

Frustração, Medo, Desespero e Morte!


Apesar de toda urgência do mundo, do aperto ser incrivelmente fora do comum, ela conseguiu chegar em casa a tempo como de costume.
Não saiu correndo feito uma desesperada.
Não!
No momento que pisou em solo firme e seguro, Marizete se sentiu aliviada, apesar da pressão que a consumia por dentro, mas que ela controlava, aparentando não estar acontecendo nada!
Ela catou seu livro, andando ia tirando os sapatos e chutando-os longe, se encaminhou para o banheiro com a saia apertada descendo conforme rebolava até o recinto privado tão amado naquele momento e jogou-se sentada, acertando em cheio o assento que a aguardava e todos os dias naquele mesmo horário, a abraçava, de boca arregalada, com toda ternura e ânsia pelo que Marizete todos os dias preparava para ele, só para ele!
O alívio parecia chegar a Marizete até que ela percebeu que algo de errado acontecia.
Justamente naquele momento de plena entrega, ela, Marizete viu-se numa situação que em momento algum de sua vida imaginava um dia presenciar: uma perereca, daquelas bem pequeninas, de tamanho realmente micro, grudada no azulejo do banheiro a observava, bem dentro de seus olhos!
Isso, aqueles olhos de Marizete, que estavam loucos para piscar longamente, deixando-a relaxada, longe da realidade da vida humana, naquele momento de inteira plenitude do nirvana anal...
Ah, que vontade louca, que cólica maldita, mas lá estava Marizete!
Paralizada sem saber o que fazer com o ,aldito fato de tamanha comoção, que a fazia vibrar não de pavor, mas de vontade de relaxar e sentir-se esvaziar como um pneu que fura e deixa seu ar aprisionado escapar como um assovio.
O tilintar das curvas intestinais já berrava, quando Marizete teva a grande sacada!
"Vou decolar pro lavabo!"
Ela vagarosamente, iniciou o ensaio de retornar com a calcinha à "Gare du Nord" daquela locomotiva que tentava se tornar o trem bala japonês em plena Paris... Sim, pois o trilho acabou, e a Avenue des Champs Elysees virou a petit Rue de la Boetie!
"Lido" engano! Quero dizer, Lêdo engano...
Bastou Marizete tomar as rédeas de sua roupa de baixo e se movimentar demais que a maldita perereca, que já virava uma rã por se movimentar e parecer soltar do azulejo, deixou Marizete ainda mais espantada. Ela que ja contorcia o delgado, achincalhava com o pobre do grosso, teve que lentamente voltar à posição inicial.
Marizete rezava baixinho, pedia a São Benedito que fizesse com que aquela salamandra vira-se estátua!
Por que São Benedito?
Não Sei!
Mas era ele quem tinha que ajudar Marizete!
Era isso ou aquela maldita salamandra iria virar uma iguana em segundos!
Ela sabia que tinha que ser rápida!
Pronto pensou em largar o livro no chão e poder se apoiar na privada para ganhar o mundo! O Mundo que tinha menos de 5 metros de distância do banheiro ao lavabo.
O livro foi pro chão, sem Marizete titubear.
A Iguana já virava uma cobra!
Peçonhenta!
Uma Naja da India, que sequer precisava de uma flauta para seguir Marizete.
Livro no chão, calcinha na mão. Era tudo ou nada!
Ou Marizete saia daquele banheiro naquele minuto, ou a jibóia grávida que nascia dentro dela mesma iria se enrolar por dentro dela toda e tomar conta de sua alma.
Marizete já suava frio, e não tinha a quem recorrer, senão ao danado do São Benedito que de nada parecia lhe adiantar. Ela se levantou apressadamente, estabanada, cheia de entusiasmo e certa de que iria chegar a algum lugar, aquele lugar, a apenas 5 metros dalí, e...
A perereca que já era sim um Dragão de Comôdo, babento e cheio de más intenções não resistiu e partiu em vôo junto com Marizete.
O choque térmico de suas patas e babas frias com o suor gélido de Marizete encontraram-se travando uma enorme explosão, que eclodia a partir do interior da garganta de Marizete, que infelizmente terminou provocando um furor intestinal que rebentava através do esfíncter de Marizete, como o estouro da pororoca, o vazar da lava vulcânica inundando a geleira que o chão do banheiro retratava.
Marizete desmaiou.
A anaconda em que a enfezada perereca se transformou, jazia esmagada na altura da cintura de Marizete!
Aquela cena grotesca, o cheiro que invadia o ambiente, com a fatal liberação dos filhotes que nasciam da gruta imunda de Marizete, eram capazes de chocar uma nação dos mais bestiais seres habitantes de mundos horripilantes.
Ela morreu!
A perereca morreu!
Seu sanguinho nojento estava ali...
Junto com tudo de mais fétido que se possa crer...
Bem ali, em Marizete, misturada a bosta chocante que aterrou aquele piso alvo e bonito!

Marizete perdeu a briga...
Ficou estatelada, sobre a perereca ameaçadora e maledicente
que deixou Marizete sem eira nem beira, ali suja e desnuda
da cintura pra baixo.


Incrível a capacidade de algumas pessoa!
Que controle!
Quanta força de vontade!
Segurar vontade de cagar não é fácil!
Impressionante, pois alguns admitem que sentem o prazer de se sentir a ponto de não agüentar mais, mas segurar firme e forte, com valentia!
Para essas pessoas, nada como chegar em casa e ...
Isso aí!
Você pensou certo!
Conforme menciona-se popularmente, de maneira menos desagradável e cheia de humor,
"Levar a criançada para nadar!"
"Fazer charutos cubanos"
"Abrir a fábrica de chocolate"
"Largar um barro"
e, dentre todas a mais primorosa...
"Lotar o vaso!"

Marizete deu de cara com a perereca no Banheiro!
Adeus tesão de se libertar, largar tudo que a importunava...
Viva Marizete!
Que nossa heroína sirva de lição a todos!
Nunca entre num banheiro, sem antes averiguar se você realmente está sozinho
Observe bem...
Sempre
Principalmente...
Da cintura pra baixo.

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